REQUIEM Um Requiem impossível, com amor
11 de Janeiro 2013
PEDRO BOLÉO, Público 23/11/2012
"Escrever um Requiem é, em primeiro lugar, dar uma "resposta" a uma história de numerosas obras musicais do passado", escreveu Pinho Vargas numa apresentação. Tarefa ambiciosa, portanto. Um Requiem à música do século XX? Ou um Requiem íntimo e humanista que interroga o medo, que se confronta com o acto de compor e, ao mesmo tempo, foge?
Fuga, sim, ao confronto com a morte e com o passado que já não volta. Busca, talvez nostálgica, de re-compor uma unidade orgânica na música e na história que se partiu. Simplificação de meios para dizer o mais complexo. Nas texturas densas da orquestra, por vezes quebradas, mas numa procura incessante da reconciliação. Contraditório Requiem, pois, que enfrenta o texto "terrível" do Deus vingador para fazer as pazes com o desconhecido. Pinho Vargas resolve a questão não numa procura da originalidade, mas numa viagem interior, pessoal e melancólica perante o projecto impossível de dizer como é o que já não há. Por isso o Confutatis ("Livra-me da agitação dos malditos") ganha mais força do que o Dies Irae, onde a ira de Deus se esfuma. Por isso, o Lacrimosa apaga o seu lado ritual para se apresentar mais como uma correspondência lírica a alguém que se amou... e ainda ama. Porque este Requiem tem declarações de amor e interrogações sobre o acto de compor. A voz de Pinho Vargas parece estar mais na orquestra do que no coro, quase sempre remetido para uma escrita linear, mas tornado denso por um trabalho harmónico interessante: a harmonia que comenta o desaparecimento. Felizes são o Agnus Dei e o Libera me, onde o medo não é o de não ter resposta para a morte. A não ser talvez isto: estou aqui, e componho. Estou aqui, ouçam. Joana Carneiro foi incansável na procura de revelar todas as qualidades deste Requiem, com um coro entusiasmado e concentrado, atravessando as dificuldades numa estreia que acabou com um aplauso generoso a Pinho Vargas, com muita gente de pé.
Fuga, sim, ao confronto com a morte e com o passado que já não volta. Busca, talvez nostálgica, de re-compor uma unidade orgânica na música e na história que se partiu. Simplificação de meios para dizer o mais complexo. Nas texturas densas da orquestra, por vezes quebradas, mas numa procura incessante da reconciliação. Contraditório Requiem, pois, que enfrenta o texto "terrível" do Deus vingador para fazer as pazes com o desconhecido. Pinho Vargas resolve a questão não numa procura da originalidade, mas numa viagem interior, pessoal e melancólica perante o projecto impossível de dizer como é o que já não há. Por isso o Confutatis ("Livra-me da agitação dos malditos") ganha mais força do que o Dies Irae, onde a ira de Deus se esfuma. Por isso, o Lacrimosa apaga o seu lado ritual para se apresentar mais como uma correspondência lírica a alguém que se amou... e ainda ama. Porque este Requiem tem declarações de amor e interrogações sobre o acto de compor. A voz de Pinho Vargas parece estar mais na orquestra do que no coro, quase sempre remetido para uma escrita linear, mas tornado denso por um trabalho harmónico interessante: a harmonia que comenta o desaparecimento. Felizes são o Agnus Dei e o Libera me, onde o medo não é o de não ter resposta para a morte. A não ser talvez isto: estou aqui, e componho. Estou aqui, ouçam. Joana Carneiro foi incansável na procura de revelar todas as qualidades deste Requiem, com um coro entusiasmado e concentrado, atravessando as dificuldades numa estreia que acabou com um aplauso generoso a Pinho Vargas, com muita gente de pé.
REQUIEM (2012)
Obras
2013
MAGNIFICAT
Magniticat a duas vozes de Pinho Vargas, por Bernardo Mariano, DN, 15-10-13
2011
ONZE CARTAS, para Orquestra Sinfónica, três marradores (pré-gravados) e electrónica
por Pedro Boléo, Público, P2, 26-11-11
2009
A Little Madness in the Spring
Georges Gad in Le Monde da La Musique, 14 Novembre, 2006
2008
Os Dias Levantados, Manuel Pedro Ferreira
Manuel Pedro Ferreira, in Arte Musical
2008
Cenários urbanos pela Sinfónica Portugesa - Estreia de GRAFFITI (just forms)
Cristina Fernandes, in Público 6/Março/2006
2008
A "Paixão" de Judas, Segundo Pinho Vargas
A "Paixão" de Judas, Segundo Pinho Vargas Fernando C. Lapa in Público
2008
Two Family Discussions, Maria Augusta Gonçalves
Maria Augusta Gonçalves in Jornal de Letras
2008
Sete Canções de Albano Martins, Teresa Castanheira
Teresa Castanheira, in Expresso
2008
Quatro ou cinco movimentos fugidios da água, Rui Pereira
Rui Pereira, in Público
2008
Step by Step: Wolfs, José Alberto Vasco
José Alberto Vasco, in A Voz de Alcobaça
2008
Six Portraits of Pain, Danielle Martino
Danielle Martino, in Gazzeta della Musica
© 2013 António Pinho Vargas. Reservados todos os direitos. All rights reserved.
Desenvolvido por Luis_Pinto @ Cowork, Design Carlos Pinto
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