Solo Discos da semana, 30 de Junho. ****
05 de September 2008
Discos da semana, 30 de Junho
Quarta-feira, Julho 02, 2008
É curioso verificar que entre os melhores álbuns que a música portuguesa nos deu nos últimos dez anos se encontram criações por músicos de jazz mas que, na verdade, não serão exactamente discos de jazz. Refere-se aqui, a memória desses dois casos notáveis que foram Lobos, Raposas e Coiotes, da dupla Maria João e Mário Laginha (1999) e o mais recente Alice, de Bernardo Sassetti (2006). Solo, de António Pinho Vargas, é mais um título a acrescentar a esta lista de grandes acontecimentos, o próprio tendo já reconhecido que não se trata, exactamente, de um disco de jazz. Solo, contudo, move-se perto das referências que edificaram parte significante de uma discografia com lugar de destaque na história do jazz português. Não será bem uma revisão dessa história. Mas, antes, e com alguns inéditos entre temas do seu passado, uma forma viva de reencontrar uma série de etapas de um percurso notável e que, há já alguns anos, não corria por estes circuitos. Nos últimos tempos vimos António Pinho Vargas entregue a uma não menos importante dedicação à música contemporânea (da qual nasceram os discos Monodía ou a ópera Os Dias Levantados). Durante alguns anos, o trabalho de composição não só o afastou dos espaços ligados à sua antiga relação com o jazz, como inclusivamente dos palcos... De reencontros após estas ausências se faz, portanto, o que escutamos em Solo. A ideia de gravar um disco de piano era já antiga, mas só em finais de 2007 teve hipótese de se concretizar. Em cinco dias, fechado no pequeno auditório do CCB, com uma equipa mínima, nasceram duas horas e 45 minutos de gravações úteis. 36 temas, 24 dos quais apresentados no CD duplo que agora chega ao mercado. "Imperfeições", assim chamou António Pinho Vargas aos registos para piano solo que aqui e agora revela. Imperfeições de puro assombro, reflexo da relação do corpo com uma ideia e um teclado. Imperfeições que devolvem António Pinho Vargas a terrenos que convocam natural familiaridade com o que guarda a memória mas que em nada sugerem instintos de nostalgia. Na verdade, o álbum mostra uma perspectiva presente de autor, que consegue diluir e sugerir identidade de conjunto as composições convocadas às sessões frente ao piano naqueles cinco dias intensamente vividos no CCB. Solo traduz ainda a revelação de David Ferreira como editor em nome próprio. E não podia ter sido melhor a estreia "a solo" de um editor que não abdicou nunca de valores cada vez menos correntes nesta idade da cultura de hipermercado.
António Pinho Vargas
"Solo"
David Ferreira Investidas Editoriais
in
Quarta-feira, Julho 02, 2008
É curioso verificar que entre os melhores álbuns que a música portuguesa nos deu nos últimos dez anos se encontram criações por músicos de jazz mas que, na verdade, não serão exactamente discos de jazz. Refere-se aqui, a memória desses dois casos notáveis que foram Lobos, Raposas e Coiotes, da dupla Maria João e Mário Laginha (1999) e o mais recente Alice, de Bernardo Sassetti (2006). Solo, de António Pinho Vargas, é mais um título a acrescentar a esta lista de grandes acontecimentos, o próprio tendo já reconhecido que não se trata, exactamente, de um disco de jazz. Solo, contudo, move-se perto das referências que edificaram parte significante de uma discografia com lugar de destaque na história do jazz português. Não será bem uma revisão dessa história. Mas, antes, e com alguns inéditos entre temas do seu passado, uma forma viva de reencontrar uma série de etapas de um percurso notável e que, há já alguns anos, não corria por estes circuitos. Nos últimos tempos vimos António Pinho Vargas entregue a uma não menos importante dedicação à música contemporânea (da qual nasceram os discos Monodía ou a ópera Os Dias Levantados). Durante alguns anos, o trabalho de composição não só o afastou dos espaços ligados à sua antiga relação com o jazz, como inclusivamente dos palcos... De reencontros após estas ausências se faz, portanto, o que escutamos em Solo. A ideia de gravar um disco de piano era já antiga, mas só em finais de 2007 teve hipótese de se concretizar. Em cinco dias, fechado no pequeno auditório do CCB, com uma equipa mínima, nasceram duas horas e 45 minutos de gravações úteis. 36 temas, 24 dos quais apresentados no CD duplo que agora chega ao mercado. "Imperfeições", assim chamou António Pinho Vargas aos registos para piano solo que aqui e agora revela. Imperfeições de puro assombro, reflexo da relação do corpo com uma ideia e um teclado. Imperfeições que devolvem António Pinho Vargas a terrenos que convocam natural familiaridade com o que guarda a memória mas que em nada sugerem instintos de nostalgia. Na verdade, o álbum mostra uma perspectiva presente de autor, que consegue diluir e sugerir identidade de conjunto as composições convocadas às sessões frente ao piano naqueles cinco dias intensamente vividos no CCB. Solo traduz ainda a revelação de David Ferreira como editor em nome próprio. E não podia ter sido melhor a estreia "a solo" de um editor que não abdicou nunca de valores cada vez menos correntes nesta idade da cultura de hipermercado.
António Pinho Vargas
"Solo"
David Ferreira Investidas Editoriais
in
Other Critics about SOLO
Records
2014
Outro Fim e Step by Step, Drumming CDs 2014
Critica de Maria Augusta Gonçalves publicada no Jornal de Letras, Julho 2014
2009
SOLO II: mais críticas
1. Manuel Falcão, Jornal de Negócios, 6-11-2009
2. Rui Branco, Jornal de Notícias, 6-11-2009
2. Rui Branco, Jornal de Notícias, 6-11-2009
2009
SOLO II
Diário de Noticias , Nuno Galopim
Um ciclo de discos a solo que abre novos caminhos
Um ciclo de discos a solo que abre novos caminhos
2008
Graffiti [just forms], Six Portraits of Pain, Acting Out, A dor e a angústia em retratos musicais por Cristina Fernandes
Cristina Fernandes, Ypsilon, p.36, Público, 10 de Outubro 2008
A dor e a angústia em retratos musicais
Três obras fundamentais de António Pinho Vargas
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Três obras fundamentais de António Pinho Vargas
2008
Graffiti [just forms], Six Portraits of Pain, Acting Out, O pensamento e o seu choque por Maria Augusta Gonçalves, JL, Novembro
2008
Selos e Borboletas - O DISCO - Sons, aromas e outros voos
Viriato Teles, in O Jornal
2008
Sobre CD "Monodia" EMI Classics -1995, Miguel Sobral Cid
Miguel Sobral Cid, in Expresso
2008
JAZZI METAL - CONTEMPORARY MUSIC FOR BRASS ENSEMBLE in Jornal de Letras, 21-1-2004. Crítica ao CD "Jazzi Metal - Contemporary Music For Brass Ensemble
2008
Os Dias Levantados - DO TEMPO QUE FOI NO TEMPO QUE É
Augusto M. Seabra, in Público
2008
Os Dias Levantados - ABRIL, A SUBSTÂNCIA DO TEMPO
Maria Gonçalves de Sousa, in JL
2008
A INCONTESTÁVEL MELANCOLIA - António Pinho Vargas, Os Jogos do Mundo
RAUL VAZ BERNARDO, Expresso
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Desenvolvido por Luis_Pinto @ Cowork, Design Carlos Pinto
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